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16.6.18

Mão que Molha

Mão que Molha é um chofre de desenhos acompanhados de um poema e vice-versa. Tal como a chegada de uma brisa de tusa súbita que se instala e paira, certa mão quando atravessa qualquer ponto do espaço visível atravessa no fundo mais por dentro que por fora. Por dentro estremece, viaja,  aquece e molha. É desejo inerente, junto ao desejo ardente, que essa mão olhe tanto (por mim) o quão molha. Quer dizer, que o espírito venha com a carne, que a água que o fogo no ar provoca se desfaça terra, em qualquer sítio, a qualquer hora.

Mão que Molha

coa-me
que moa
que mão
que amo
ao coma

o caminho
oh que dá
hóme cá
ah que bom
amo-que
ah que mó

maco mago
que é-me cão
e me coa
mão que molha – que moca.























3.5.18

dá a mão à mão que a terra dá




DÁ A MÃO À MÃO QUE A TERRA DÁ performance esculptó

Tudo o que é feito, é feito com o que a terra dá. Esta mesa, esta parede, este ecrã, aquele bicho, toda a luz, qualquer cena. Tratar a terra como se fosse uma extensão do corpo. O que é a terra? És tu, sou eu, é esta mesa, esta parede, este ecrã, todos os bichos, qualquer luzinha, aquela ceninha.

MANIFESTO DELICADO FARTA DESTA MERDA DO EXCESSO:

DO QUE FALTA - de confiança, de brincadeira, de segurança, de descanso, de afecto, de tempo, de liberdade, de responsabilidade, de comunidade, de.

DO QUE JÁ CHEGA - de pobreza, de fome, de trabalho, de disfunções, de proibições, de coisas e mais coisas e mais coisas, de individualismo, de mentira, de.

Quando é demasiado bom já não é mesmo bom, como quando demasiado honesto já não é mesmo honesto, como quando ouvi dizer.